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ORIGEM DO BAIRRO DA PENHA SP
ORIGEM DO BAIRRO DA PENHA SP

                 ORIGEM DO BAIRRO DA PENHA SP .  

Lancemos um olhar retrospectivo à época da fundação do Colégio de Anchieta e talvez divisemos a remota origem da Penha.

Os inacianos, sob a esclarecida orientação do Padre Manuel da Nóbrega, havia pouco tinham erguido a escola e a  capela de taipa e algumas palhoças, no planalto de Piratininga.

A cidade nascera humildemente, a exemplo do Menino Jesus, numa manjedoura de palha, mas o seu destino, grandioso, já estava traçado. Perdoem a irreverente analogia, mas o incurável orgulho de paulistana... tudo justifica.

No recém-criado núcleo, se estabeleceram os descendentes de Tibiriçá e Caiubi.

Todavia, ninguém  se sentia tranqüilo no nascente povoado, pois todos temiam ataques de surpresa.

Por sua vez, os moradores de Santo André da Borda do Campo vieram para São Paulo de Piratiniga, por sugestão de Nóbrega e Mem de Sá.

Os goianas, os carijós e os tamoios, coligados, ameaçavam atacar a qualquer momento a paliçada Planaltina.

Porém, os previdentes jesuítas instalaram vários aldeamentos até três léguas “por água e por terra” em pontos estratégicos da Vila, como: Guarulhos, Ururai, Barueri, Pinheiros, Carapicuíba, Itaquaquecetuba. Embu, Itapecerica, etc., que funcionariam como linhas de resistência.

O ataque previsto aconteceu a 9 de julho de 1562. Esse determinismo na história de São Paulo (9-7-1932)...

João Ramalho, capitão defensor da Vila, seu sogro Tibiriçá, os guaianases e os portugueses repeliram corajosamente a investida, levando os adversários de vencida.

Sucederam, ainda, outros ataques, como o de 1593 e o último de 1596, sendo novamente os inimigos vencidos.

Entre os aldeamentos anchietanos, estava o de Ururai, datando mais ou menos de 1560 e que nasceu como um fortim.

Os silvícolas dessa tribo, subordinados ao cacique Piquerobi, eram guaianases e pertenciam à grande nação Tupi. Eram arregimentados em aldeias. Tinham  áreas primitivas. Possuíam títulos concessionários.

Habitavam toda a margem esquerda do Rio Grande, ou seja, Tatuapé, Penha e São Miguel.

Portanto, uma das versões é de que o primitivo arraial da Penha, tenha se originado desse aldeamento.

 

 

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Também é apontada a hipótese de ter sido a trilha por onde os altivos filhos de Tibiriçá teriam acesso à Bertioga.

 Outra, seria a  de ter sido um pouso ameno, aprazível, de onde se descortinava toda a Vila e onde acampavam os bandeirantes que demandavam as “Minas Gerais dos Cataguás”. Por ali alcançavam o vale do Paraíba, através da Serra da Mantiqueira, na altura de Lorena.

Seria, ainda, o carreador onde tropas de burros ou boiadas transitavam a caminho das feiras de gado.

Devemos salientar que, nessa época, nas estradas, havia paradas ou pousos obrigatórios, onde os ranchos de tropas se instalavam. Os itinerantes repousavam. As cavalgaduras eram descarregadas e saciadas. Geralmente, esses locais se situavam à beira dos córregos, para dessedentar os tropeiros e seus animais.

Poderia, ainda, justificar a origem do núcleo penhense, a corrida do ouro, no fim do século 16, nos arredores de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, um dos primeiros aldeamentos criados pelos congregados de Santo Inácio de Loiola.

Afonso Sardinha, em 1597, descobriu quatro minas auríferas, inicialmente. Depois, outras formas foram sendo descobertas. Todas se situavam nos bairros de Lavras, Catas, Velhas, Campo dos Ouros, Tanque Grande, Monjolo de Ferro e Bananal, hoje Município de Guarulhos.

Muitos outros exploradores sucederam a Afonso Sardinha e seu filho, mediante Cartas de Sesmarias e essas propriedades se estendiam até a Penha, onde, perto do riacho Ticoatira, segundo a tradição, existiu ouro.

São hipóteses que poderiam ser aventadas no tocante à formação do povoado.

Mas, a versão rigorosamente histórica sobre a origem da Penha, é a seguinte:

Desde o Tatuapé às divisas de Guarulhos e São Miguel, estendia-se uma imensa “fazenda com ermida e curral de gado” de propriedade do licenciado Mateus Nunes de Siqueira, adquirida dos sucessores de Francisco Jorge.

A Casa  Grande foi construída em 1650, junto ao Córrego do Tatuapé na várzea do Tiête. Constava de  um pavimento de chão socado, paredes de taipa de barro, forro de esteiras de taquara e telhas. Rebocada e caiada. Aí se iniciou a fazenda e ao seu redor foram construídas as casas dos colonos. É um dos raros documentos arquitetônicos da história paulistana. Autêntica relíquia do século 17, já tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Poderá ser apreciada à Rua Guabijú nº 49, Tatuapé.

Consta que Mateus mandou erguer uma capela no topo da colina, no local onde hoje se situa o Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

O povoado, oficialmente, teve começo na segunda metade do século 17, o que é confirmado pela petição abaixo transcrita, que serviu de fundamento à concessão de uma sesmaria feita a 5 de setembro de 1668, pelo capitão-mor Agostinho de Figueiredo.

“Diz o licenciado Mateus Nunes de Siqueira, morador na Vila de São Paulo, que ele suplicante tem uma fazenda com ermida e curral de gado légua e meia desta Vila, na paragem chamada Tatuapé, terras que houve dos herdeiros do defunto Francisco Jorge, e por quanto não tem terras para lavrar e na testada destas terras para o Rio Grande em uma volta que faz o rio tem um pedaço de terra, dentro do qual há algumas campinas, brejais e restingas de mato que se pode lavrar, por isso pede a Vossa Mercê que, como procurador bastante donatário, lha faça mercê dar por sesmaria a terra que pede para maior aumento da capela, havendo também respeito ser o suplicante filho e neto de povoadores e não ter até agora carta de sesmaria; a qual terra correrá de umas Campinas que partem da banda de baixo do ribeirão do Tatuapé, correndo pelo Rio Grande e pela volta que o mesmo faz por uma campina que chamam Itacurutiba até uma aguada que foi o defunto João Leite. E.R.M. Cartório da Tesouraria da Fazenda de São Paulo, Livro 11 de Sesmarias antigas.”

Esse é o registro oficial, a certidão de nascimento do bairro da Penha, que dista uma légua e meia ou 8,3 quilômetros do centro da cidade.

Contribuiu notavelmente para esse histórico acontecimento a devoção à Nossa Senhora da Penha de França, que registrada oficialmente um ano antes, já despertara o interesse geral para o lugarejo que se desenvolvia em torno da ermida como casas residenciais, de comércio e pouso.

Em documentos antigos constantes do Arquivo Histórico da Prefeitura, vemos citações da Penha já datadas de 1715,  bem como outras de 1748 e 1749.

Tal foi o movimento de peregrinação e o número de milagres atestados, atraindo devotos e visitantes e impulsionando o comércio local, que pelo Alvará de 15 de setembro de 1796 o primitivo núcleo era elevado à categoria de Freguesia Nossa Senhora  da Penha de França, desmembrando-se dessa forma da Freguesia da Sé.

Posteriormente, as duas  datas, fundação e devoção, se fundiram numa só, por convenção aceita  e oficializada, passando a ser comemoradas no dia 8 de setembro, dia da Natividade de Nossa Senhora.

Penha de França engalana-se para comemorar condignamente o seu tricentenário, culminando as solenidades no próximo 8 de Setembro. 

Salve  Penha!